6 de dezembro de 2009

...então é assim, segure firme, segure-se em mim:




Chegue bem perto de mim. Me olhe, me toque, me diga qualquer coisa. Ou não diga nada, mas chegue mais perto. Não seja idiota, não deixe isso se perder, virar poeira, virar nada. Venha quando quiser, ligue, chame, escreva - tem espaço na casa e no coração, só não se perca de mim. O que me doía, agora, era um passado próximo. Na minha memória - tão congestionada e no meu coração tão cheio de marcas e poços você ocupa um dos lugares mais bonitos. Não, meu bem, não adianta bancar o distante: lá vem o amor nos dilacerar de novo... Ando meio fatigada de procuras inúteis e sedes afetivas insaciáveis, e meu coração tá ferido de amar errado. Tô exausto de construir e demolir fantasias. Ou me quer e vem, ou não me quer e não vem. Mas me diga logo para que eu possa desocupar o coração... Não quero me encantar com ninguém. Acho espantoso viver, acumular memórias, afetos porque tudo já passou e minha vida não passa de um ontem não resolvido. Enfim. Que seja doce. Repito sempre a mim: sossega, sossega - o amor não é para o teu bico.

Caio F. De Abreu

5 de dezembro de 2009

De poucas palavras



"Eu não sou boa nem quero sê-lo, contento-me em desprezar quase todos, odiar alguns, estimar raros e amar um. Minha verdade espantada é que eu sempre estive só de ti e não sabia. Agora sei: sou só. Eu e minha liberdade que não sei usar. Grande responsabilidade da solidão. Quem não é perdido não conhece a liberdade e não a ama. Quanto a mim, assumo a minha solidão. Que ás vezes se extasia como diante de fogos de artifício. Sou só e tenho que viver uma certa glória íntima que na solidão pode se tornar dor. E a dor, silêncio. Guardo o seu nome em segredo. Preciso de segredos para viver."

C.L.